segunda-feira, setembro 01, 2008

"A alfabetização é o melhor remédio" - UNESCO


A 8 de Setembro de 2008, pelo trigésimo oitavo ano consecutivo, o mundo celebra o Dia Internacional da Alfabetização, com o patrocínio da UNESCO, cujo lema reside na frase: " a alfabetização é o melhor remédio".

Tal como a aprendizagem ao longo da vida, a alfabetização está no centro do desenvolvimento sustentável. Contudo, estima-se que, actualmente, o número de analfabetos ronde os 800 milhões de adultos, dos quais cerca de dois terços são mulheres. A este número dever-se-ia acrescentar o número de analfabetos funcionais que se supõem atingir um número assustador.


Milhões de indivíduos - particularmente mulheres - não têm acesso ao direito básico da educação. Há também muitos outros que, como resultado da degradação da posição económica e social, estão perdendo o controle até dos conceitos básicos que já tinham adquirido e encontram-se diante do chamado analfabetismo funcional.

A pobreza e a exclusão são as principais responsáveis por situações constrangedoras, fazendo lembrar que o desenvolvimento económico não assegura necessariamente o desenvolvimento social.

Calcula-se ainda que mais de 100 milhões de crianças não frequentem a escola.
É evidente que o apoio dado à alfabetização está ainda longe de responder às necessidades existentes.

Portugal ainda tem um milhão de analfabetos e é um dos países europeus onde este problema mais se faz sentir.
Num país onde a taxa de analfabetismo é ainda de 8% supõe-se que a taxa de analfabetismo funcional ultrapasse os 50%.


O analfabetismo funcional é tão grave como o analfabetismo em si.

Ler é muito mais que juntar letras, é perceber o que está escrito não como palavras isoladas mas como frases, parágrafos e textos.
Em Portugal, mais de 50% da população alfabetizada é "iletrada" demonstrado graves dificuldades na compreensão do que lê.

Dá que pensar, porque sem educação não existe nem democracia nem desenvolvimento. Para viver com autonomia face à complexidade do mundo actual, com o sentido de exercer uma cidadania activa, é indispensável dominar a leitura.

Os resultados globais de
estudos nacionais e internacionais realizados nas últimas duas décadas demonstram que a situação de Portugal é grave, revelando baixos níveis de literacia significativamente inferiores à média europeia, tanto na população adulta, como entre crianças e jovens em idade escolar, não esquecendo que nos situamos numa população multicultural.

Resultados de estudos sobre literacia: a situação de Portugal
relativamente a outros países Europeus:

kdfli-weoifj.JPG

Verificou-se neste estudo realizado pela PISA, em 2006, que Portugal era o país que apresentava uma maior percentagem de pessoas no nível 1 de literacia contrariamente à Suécia que tinha a menor percentagem de pessoas no nível 1 e a maior no nível 4. A França era o país com menor número de pessoas no nível 4/5.

As siglas PISA significam “Programme for International Student Assessment”. Este estudo é internacional e testa literacia em leitura, literacia matemática e literacia científica. é o maior estudo internacional e sistemático feito sobre as competências e conhecimentos de jovens com 15 anos de idade em três áreas distintas. O estudo foi coordenado pelos governos dos países participantes, através da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico).



Segundo o ENL, Estudo Nacional de Literacia, o primeiro estudo de avaliação directa das competências de leitura, escrita e cálculo realizado em Portugal, os níveis de literacia são os seguintes:

0 – Tarefas menos complexas: localizar uma única peça de informação e identificar o tema principal do texto;

1 – Tarefas básicas: localizar informação simples e compreender o significado de parte definida do texto;

2 – Tarefas de complexidade moderada: localizar segmentos de informação e estabelecer relações entre as várias partes de texto;

3 – Tarefas difíceis: localizar informação implícita e avaliar criticamente um texto;

4/5 – Tarefas sofisticadas de leitura: compreensão detalhada de textos, interferência das informações relevantes, avaliação critica.

Em Portugal, o Plano Nacional de Leitura promove várias iniciativas em todo o país numa tentativa de chegar a toda a população. Contudo para que este conjunto de iniciativas tenha sucesso é necessário que toda a comunidade, incluindo essencialmente as famílias, esteja envolvida nele, compreendendo a sua importância. Para que os níveis de literacia aumentem é necessário que a própria família estimule a criança à leitura, orientando-a para ter hábitos de leitura que podem ser em conjunto (crianças ou jovens com as suas famílias) e , consequentemente, estilos de vida saudáveis (gerindo também a doença e utilizando os serviços de saúde de uma forma mais adequada) e para o (re)encontro com valores de vida que se encontram perdidos ou "adulterados".


Nesse sentido, os professores e outros profissionais, ligados directa ou indirectamente à educação (educadores, psicológos, médicos, enfermeiros) têm apostado na leitura de livros nas Bibliotecas das Escolas e em espaços não escolares (Centros de Saúde, Hospitais,etc.) pelas crianças em idade escolar e jovens e apoiado iniciativas como a do Campeonato da Língua Portuguesa.
O Campeonato da Língua Portuguesa é um concurso pensado para a participação de todos aqueles que queiram utilizar melhor o Português, aperfeiçoar os seus conhecimentos e desenvolver o gosto pela nossa Língua. Nesta iniciativa conjunta do Expresso, do Jornal de Letras, da SIC e da SIC Notícias, com o patrocínio exclusivo do BPI, os concorrentes partem à descoberta dos segredos da Língua Portuguesa, aprendendo enquanto se divertem, divertindo-se enquanto aprendem. Os concorrentes são organizados em três categorias etárias: menores de 15 anos; dos 15 aos 18 anos; maiores de 18 anos. Decorre em paralelo habitualmente um Campeonato Especial Escolas.


É fundamental que as crianças possam ter prazer na leitura de obras como
"O Principezinho" que nos ensinaram a nós (pais) a ver com os olhos do coração os factos da vida, acompanhando-nos no percorrer da viagem que a mesmo proporciona.
Segundo alguns autores a tendência para a leitura tem vindo a crescer nos últimos tempos, principalmente nos jovens.

Algumas sugestões de leitura do CRIANCICES para os mais pequenos:

“As Viagens de Simão - Austrália “ - de Gabriela Barcelos.

«A Nascente de Tinta» - de Pedro Soromenho Rocha.

Uma boa sugestão para os pais: CLUBE DOS LIVROS


R.S.

29 Comments:

At 10:42 da manhã, Anonymous joana santos said...

Bom regresso! Um post crítico acerca da alfabetização e da sua vertente menos divulgada, que têm a ver com a alfabetização funcional, pouco abordada entre nós!
Beijinhos da Joana.

 
At 1:04 da tarde, Blogger António said...

Olá, minha querida!
Queres dar um saltinho ao meu blog
http://eusoulouco2.blogs.sapo.pt?
Obrigado!

Beijinhos

 
At 1:07 da tarde, Blogger Ana S. said...

Olá Rosa!
Realmente o problema não é só não saber ler mas principalmente não perceber o que foi lido.
É necessário que os pais incentivem os filhos a ler em vez de dar um jogo de computador para ficarem entretidos algumas horas :)
Beijinhos

 
At 2:45 da tarde, Anonymous Rosário Coelho said...

Excelente post, Rosa. Bom, a viagem decorreu bem, embora pelo lado exterior do avião...hehehe1
Um grande beijinho,Rosário.

 
At 4:39 da tarde, Anonymous Hugo Ribeiro said...

Um post magnífico, Rosa.
Adorei!
Um grande abraço.

 
At 4:59 da tarde, Blogger Viviana said...

Olá Rosa,

Agradeço a visita que fez ao meu cantinho.

Interessante, ser visitada por uma enfermeira...

Se me não engano, creio que é a primeira a vistar-me.

Pelo menos a deixar um comentário.

Não sei se reparou mas sou enfermeira tambem.

Estou reformada há alguns anos.

Trabalheina na área de Saúde Pública, onde tive oportunidade de fazer muitas coisas.

Fui pioneira nos anos setenta a promover a "Educação Sanitária", assim se chamava, pelo país e a apresentar uma rúbrica de Saúde Infantil num conhecido programa da R.T.P. - "Nós as mulheres",

Trabalhei muito na área da Saúde Materno - Infantil - Planeamento Familiar.

Quero dar-lhe os parabens pelo seu excelente blogue.

Fico orgulhosa de ser feito por uma Enfermeira.

Continue!

Há tanto para fzer nessa área!

Um abraço

Viviana

 
At 7:17 da tarde, Blogger Alexandre said...

Post completíssimo, parabéns!!!

Quanto aos analfabetismos acho que o funcional é muito mais grave neste momento que o geral: sei de pessoas na casa dos 30 e dos 40 que não conseguem ler as legendas na TV, simplesmente porque nunca se esforçaram para ler nada.

Outros não vão além da leitura das gordas dos jornais desportivos. Grave, gravíssimo é também a maneira como os jovens escrevem em função dos msn e sms: pode pensar-se que se trata de abreviar as palavras, mas não, eles ficam mesmo sem saber escrever!

No Fundamentalidades tb um pequeno apontamento sobre o Regresso às Aulas. Muitos beijinhos!!!

 
At 8:55 da manhã, Anonymous joão barata said...

Ola Rosa, um post muito bem conseguido. Gostei da abordagem do albabetismo funcional que quase ninguém aborda.Na realidade, alguns dos jovens actualmente (e não são poucos)pouco sabem da língua portuguesa e não sabem interpretar um texto convenientemente, o que não é de admirar se em casa somente tratam de jogar em consolas e no computador. Contribuem assim para aumentar o número de obesos e de "iletrados".
Uma beijoca.

 
At 12:09 da tarde, Anonymous Ribeiro Mendes said...

Se Portugal pouco investe nos alunos como combater a literacia?

"Portugal investe em média cerca de €4.200 por estudante, o que coloca o país na 22ª posição numa tabela com 33 países elaborada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), hoje divulgada.

Com dados referentes a 2005, e feita a média de custo por aluno entre os ensinos básico, secundário e superior, os Estados Unidos lideram o grupo com cerca de €9.000, seguidos da Suíça, Noruega, Áustria, Dinamarca e Suécia, com valores que variam entre os €8.500 e os €6.450.

Em último lugar aparece o Brasil, que investe pouco mais de mil euros ano por aluno, antecedido por países como a Estónia, Polónia, Eslováquia, Chile, México e Rússia, estados que gastam anualmente entre €2.700 e €1.400 com cada estudante.

Investimento à parte, quando se analisa o tempo passado nas aulas por cada aluno entre os 7 e os 14 anos, o Chile lidera com quase 9.000 horas (o equivalente a permanecer 366 dias ininterruptos na sala), enquanto a Estónia é quem estabelece o menor tempo lectivo, com apenas 233 dias, e Portugal fica pelo meio da tabela, com 291 dias.

A seguir aos chilenos, os alunos que mais tempo passam nas aulas são os italianos, holandeses, australianos, neozelandeses, franceses e mexicanos, com permanências que variam entre os 350 e os 312 dias.

Com menos tempo passado na escola, depois da Estónia aparece a Finlândia, Eslovénia, Noruega, Suécia, Coreia do Sul e Alemanha, com cargas horárias que totalizam entre 237 e 258 dias ininterruptos nos sete anos de escolaridade contabilizados".

 
At 12:38 da tarde, OpenID luzdeluma said...

Rosa, muito esclarecedor seu texto. Se em Portugal ainda tem um milhão de analfabetos com o governo custeando alunos até a 9° série (é isso?), dá pra imaginar no Brasil como estamos? Daí penso na África e Ásia, me parece que a pobreza alimenta a riqueza dos países desenvolvidos, por isso a falta de interesse. A desgraça de uns é a alegria de outros. Beijus

 
At 1:14 da tarde, Anonymous vanda llúcia said...

Pois de facto o analfabetismo funcional é tão grave ou mais grave do que o analfabetismo em si, porque quando se inicia a leitura muita gente pensa que já aprendeu tudo e isso não corresponde à verdade.
De que serve ler um texto se não se sabe interpretar o mesmo?

 
At 8:26 da tarde, Anonymous R.P. said...

Muito bom o Clube dos Livros. Pai agradecido pela amabilidade de postar i site do referido Clube. Obrigado,R.P.

 
At 9:33 da tarde, Anonymous Margarida Pereira said...

Um óptimo post, Rosa. Adorei.
Um grande bjinho da Margarida.

 
At 10:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

OI, sou uma nova enfermeira em Pediatria e neste momento estou a tentar uniformizar alguns procedimentos no serviço, gostaria de saber se me poderia ajudar..???Estou a tentar realizar um documento em que resuma a preparação para a alta....poderá me ajudar!!??
carla pereira

 
At 1:58 da manhã, Blogger Fátima André said...

Rosa,
quando puderes passa pela minha sala de aula. Deixei lá um SORRISO para ti que podes levantar... para animar o arranque de ano lectivo.
:))

 
At 8:36 da tarde, Blogger Dreamaster said...

D.Rosa regressou em força logo com topico em formato epico he he ;)

Parte da literacia deve-se a não se ler e q é o problema dos jovens de hoje.

"(...) ser capaz de ler não define a literacia no complexo mundo de hoje. O conceito de literacia inclui a literacia informática, a líteracia do consumidor, a literacia da informação e a literacia visual. Por outras palavras, os adultos letrados devem ser capazes de obter e perceber a informação em diferentes suportes. Além do mais, compreender é a chave. Literacia significa ser capaz de perceber bem ideias novas para as usar quando necessárias. Literacia significa saber como aprender".

STRIPLING, Barbara K. . ERIC,1992, in CTAP Information Literacy Guidelines K-12,



Bjs
D.

 
At 5:39 da tarde, Anonymous CMR said...

Prof.ª Rosa, o Blog está o máximo!
Parabéns!

 
At 6:07 da tarde, Blogger Rosa Silvestre said...

Ana, concordo contigo, cada vez mais, os pais devem incentivar os filhos, mas com as solicitações que os pais têm hoje em dia nos locais de trabalho isso é difícil, não achas?
Beijinhos, RS.

 
At 6:09 da tarde, Blogger Rosa Silvestre said...

Joana, obrigada pela visita, bjs!


Rosário, obrigada pela visita e também um beijinho para ti!

Hugo Ribeiro, obrigada por aparecer por aqui, Um grande abraço, RS.

 
At 6:11 da tarde, Blogger Rosa Silvestre said...

Olá Alexandre, obrigada pelas tuas observações nos comentários. Volta sempre que quiseres!Beijinhos!

 
At 6:13 da tarde, Blogger Rosa Silvestre said...

João, há quanto tempo? Obrigada pela tua visita. De facto o albabetismo funcional quase ninguém aborda.Na realidade, alguns dos jovens pouco sabem da língua portuguesa e por isso preferem mandar msm porque é mais fácil. Contribuem para aumentar o número de obesos e de "iletrados", não duvides.
Uma beijoca também para ti.

 
At 6:14 da tarde, Blogger Rosa Silvestre said...

Olá Ribeiro Mendes, de facto se se investe pouco na educação como combater a iliteracia?
Boa questão!

 
At 6:16 da tarde, Blogger Rosa Silvestre said...

Luz de Luma a 9ª serie corresponde a que ano?
No Brasil é diferente...

 
At 6:17 da tarde, Blogger Rosa Silvestre said...

Pois ler um texto mas não o saber interpretar é muito triste, mas acontece que iletrados funcionais efectivamente são muitos, mais do que deveriam ser!

 
At 6:18 da tarde, Blogger Rosa Silvestre said...

Olá Margarida, volta sempre e não tens nada para me entregar?
bjinho, RS.

 
At 6:19 da tarde, Blogger Rosa Silvestre said...

Olá Carla Pereira, posso te ajudar mas para isso convém deixares e-mail.

 
At 6:22 da tarde, Blogger Rosa Silvestre said...

Ola D.
Formato épico é commigo.

A tua deixa é interessante: "(...) ser capaz de ler não define a literacia no complexo mundo de hoje. O conceito de literacia inclui a literacia informática, a líteracia do consumidor, a literacia da informação e a literacia visual. Por outras palavras, os adultos letrados devem ser capazes de obter e perceber a informação em diferentes suportes. Além do mais, compreender é a chave. Literacia significa ser capaz de perceber bem ideias novas para as usar quando necessárias. Literacia significa saber como aprender".

STRIPLING, Barbara K. . ERIC,1992, in CTAP Information Literacy Guidelines K-12.


Obrigada pela visita.
Bjinho, RS.

 
At 11:00 da tarde, Anonymous Luis Moreira said...

Gostei deste post.
Reflecte uma posição coerente acerca do que é o analfabetismo e como combatê-lo....
Voltarei a passar por aqui!

 
At 8:22 da manhã, Anonymous ana vicente said...

Pois é agora com a distribuição de magalhães vai ficar tudo com literacia .....informática!
Parabéns pelo blog!

 

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