terça-feira, maio 01, 2007

Crianças ao poder?...(I Parte)

Nos meios de comunicação social aborda-se e especula-se (não raras vezes) acerca da violência dos pais sobre os seus filhos, sejam eles crianças ou jovens e também sobre a violência familiar (pais, netos,…) sobre os idosos, mas por vergonha e desculpabilização, pouco ou nada se comenta acerca da violência das crianças ou jovens sobre os seus progenitores, ou seja, sobre os seus pais.

Cada vez mais, chega à APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) um role de queixas (em 2005 registaram-se 252 queixas e em 2006, 349 casos de agressão por estalos, empurrões, murros e pontapés) , ainda reduzidas e “envergonhadas” acerca de jovens que agridem os pais sem possuírem qualquer comportamento de foro psiquíco que justifique tal acto (num post posterior abordarei o comportamento de oposição por doença).
Habitualmente, segundo a APAV, os agressores são jovens de todas as classes sociais, a quem os pais não souberam impor limites no seu comportamento, impondo-se no centro familiar como se fossem “pequenos ditadores”. São crianças mimadas, caprichosas a quem os pais satisfazem todos os pedidos.

Refere ainda Daniel Contrim, psicólogo clínico da APAV, que “as crianças maltratadoras, que insultam os pais, que agridem física e psicologicamente, são produto de uma sociedade que, quando considerou o século XX o século da criança provocou profundas alterações no modelo educativo”, permitindo-se alguns excessos no sentido da permissividade.

São as crianças que, em casa, batem nos pais, roubam-lhes o dinheiro, e no exterior agridem verbalmente e fisicamente a professora e até podem vir a fazer parte dos circuitos de delinquência!


Na maioria das vezes, estas crianças não são difíceis de identificar: o menino de cinco anos que está no café e dá um pontapé na mãe e esta responde sorrindo e dizendo “isso não se faz”; a menina de quatro anos que faz uma “fita” enorme porque não quer comer a sopa e quer comer um bolo ou um pacote de batatas fritas, entornando a sopa e recebendo em troca o bolo ou o pacote de batatas fritas que tinha exigido anteriormente, “para não ficar com fome, coitadinha”, diz a mãe; o menino que vai para a escola com a roupa que quer, mesmo que não corresponda à estação do ano … na realidade, estas crianças aos olhos dos pais são pequenos ditadores, mas “ditadores adoráveis”, com “personalidades muito vincadas”, referenciam esses pais, mas parecem esquecer-se que são sobretudo crianças com uma exigência fora do normal, a quem os mesmos não conseguem estabelecer limites nem ordens.

Sabemos que existem factores que predispõem a estas situações: a dificuldade em conciliar a vida familiar com a vida profissional, a falta de tempo dos pais, a separação ou a imaturidade do casal, o deixar a criança “presa” ao visor do computador (Internet) ou da TV durante horas sem controlo (sem ninguém a supervisionar a que tipo de programas assistem) ou vídeo (a criança visiona jogos, por vezes, extremamente violentos!). Alguns desses factores impedem uma transmissão de valores que se requer eficaz (a criança fica muito sozinha, põe e dispõe a seu belo prazer …).
Actualmente psicólogos, educadores infantis, professores, enfermeiros e psiquiatras enfrentam um grave problema educativo: a demissão dos pais do seu papel educativo que é fundamental para que as crianças cresçam em perfeita harmonia. Os pais têm que entender que impor limites faz parte da educação, faz parte do “crescer”, os limites são pois necessários à educação da criança. É importante que a criança entenda que a comunidade onde vive tem regras e que essas regas existem para se cumprir.
Educar requer afecto, reflexão, coerência nas acções, segurança, compreensão ligada também à firmeza, respeito pelo espaço dos outros, sejam esses outros os pais ou os filhos.

19 Comments:

At 5:59 da tarde, Blogger António said...

Olá, Rosa!
Bom texto, sem dúvida.
E um tema candente e de muita importância.
Eu costumo dizer que educar é, sobretudo, preparar as crianças para a vida independente que terão de enfrentar no futuro.
Mas, muitos pais de hoje esquecem-se disso e preferem ser os pais "amigos" e "porreiraços".
O resultado está à vista!
Aguardo a continuação.

Obrigado pelo teu comentário final às aventuras do Reinaldo "tímido".
Eu até fui bonzinho, não fui?
ah ah ah

Beijinhos

 
At 9:10 da tarde, Blogger Ana S. said...

Olá Rosa.
As crianças fazem o que bem lhes apetece porque não encontram uma posição firme. Não é preciso bater na criança para ensiná-la mas ter pais e mães que não entram em chantagens é fundamental. Claro que isso nem sempre é possivel porque os pais trabalham ou estão doentes mas com força de vontade tudo se arranja.
Beijinhos

 
At 9:42 da tarde, Anonymous Fátima Emerson said...

Olá Rosa
Sou médica, alergista e tenho um Blog sobre doenças alérgicas (http://blogdalergia.blogspot.com). Conheci seu blog através da Vera Fróes e gostaria de oferecer colaborações e parabenizá-la pelo lindo trabalho. Um abraço, Fatima Emerson

 
At 10:59 da tarde, Blogger Grilinha said...

Esta situação está presente de forma algo grave na minha familia. Ainda não chegou a esse ponto de violência pois o meu sobrinho tem 11 anos e ainda não tem corpo para tal. A irmã, educada da mesma maneira é um doce e muito obediente. Por causa dele , li um livro, "da criança rei à criança tirana" e já me vai dar umas dicas para educar o meu reguilita, que tambem mostra ter um feitio marcado...felizmente por enquanto vai-se levando com alguma psicologia e quando for preciso cá estamos para mostrar firmeza. Mas é sempre mais difícil a prática que a teoria. Um grande beijinho e parabéns pelo excelente artigo.

 
At 12:39 da manhã, Blogger Um Poema said...

Excelente este teu trabalho.
Há um provérbio popular que se aplica com precisão: «Quem dá o pão, dá a educação».
É óbvio que chegámos a um tempo de excessos. Se não é com pancada que se educa não é, certamente com permissividades.
A distorção dos valores, o desrespeito entre os adultos, espectáculo constantemente presenciado pelas crianças, elas próprias joguetes da falta de caracter de tantos adultos, culminam numa anormal relação.
Não é fazendo as vontades duma criança que se compensam as faltas de amor, o desinteresse, o desamor com que tantas vezes são criadas.

Ler-te tornou-se obrigatório.

Um abraço

 
At 11:44 da manhã, Anonymous rosário coelho said...

Aquilo que aqui focas observa-se praticamente em quase todos os espaços por onde andamos: pastelarias, supermercados, lojas, etc., onde não é raro ver uma criança batendo num irmão mais velho ou até num avó com quem saíu. Por muito que me custe afirmar....hoje observa-se que as crianças quase são deixadas à sua sorte.....os pais vão trabalhar, ficam com as tias ou avós e estas para os meninos não chorarem compram tudo o que eles querem ....o pior é quando os pais voltam para casa, pois exigem o mesmo tratamento!
Nas escolas, esses meninos não podem ser reeprendidos, senão podem ficar traumatizados, coitadinhos....algumas mães dizem aí da professora se eu sei que ela se zangou com o meu filho!
Sei o que afirmo, já vivencie muita coisa como professora!
Embora a paixão do ensino continue viva, a realidade é que muitas vezes, é difícil trabalhar em certas comunidades, onde certos pais devem pensar que os professores não têm uma tarefa educativa, pois que eles da deles já se demitiram há imenso tempo!!!!!
Gostei do texto, bem elaborado e muito objectivo! Um abraço!

 
At 12:23 da tarde, Anonymous joana santos said...

Olá Rosa, gostei deste teu post!
Determinados assuntos têm que ser focados, embora doam aos pais,enfermeiros, psicológos, psiquistras e aos educadores.
Claro que doi, porque quem gosta de crianças "custa-lhe" observar a existência destes comportamentos!
Um grande beijinho para ti!

 
At 10:12 da tarde, Blogger DREAMASTER said...

As crinaças á já alguns anos q tão no poder ao ponto de mandar nos pais e a cupa é deles mesmos.

Bjs
D.

 
At 5:22 da tarde, Blogger Nana said...

tema interessante e que me diz muito, no meu papel de educadora ...
Criança, hoje em dia, é ser humano com direitos e deveres iguais aos adultos. Não é no entanto um adulto "miniatura" a quem se deva falar como a um adulto (caso de pais divorciados que estabelecem relações "intimas" com o filho ou filha).
Também não deve ser "reizinho" a quem tudo é permitido e que se torna depois em tirano.
Educação é "contrato" para 20 anos e que deve ser cumprido por pais e educadores competentes !
Fico à espera do que seguirà ...

 
At 8:51 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Educar é Cuidar e cuidar também é educar, mas cada vez mais assiste-se à falta de personalização desse cuidar! E isso é pena, empobrece o acto de educar...
Obrigado pela partilha de opiniões, gosto de pasar por aqui....
C.M.R.

 
At 11:47 da manhã, Anonymous sofia mendes said...

Olá Rosa
Gostei deste post e aguardo o segundo!Na realidade, algumas das crianças actuais não são educadas....educam-se sozinhas, através da TV, da Internet, do Vídeo, etc. e também na rua......quando ficam sozinhas ao seu cuidado e os pais vão trabalhar ou então estão tão ocupados em outros afazeres que não têm tempo para eles!
E uma triste realidade, mas acontece, ainda existem pais que pensam que educar é alimentar e vestir e o resto o professor que faça!

 
At 9:27 da tarde, Anonymous kD said...

De facto excelente este assunto, aqui tratado com enorme respeito pelo tema e muita segurança na abordagem. Muitos parabéns, ficamos à espera de mais. Todos os pais o deviam ler.

 
At 10:38 da tarde, Anonymous KD said...

Boa noite, obrigada pela escola nos blogs que nos fazem pensar, apesar de tarde, já cumprimos com a difícil tarefa de escolher os cinco "melhores", pois muitos mais haveriam para ecolher.
Um beijinho de bom fim de semana.

 
At 12:13 da manhã, Blogger brisa de palavras said...

Olah concordo com tudo, e como mãe e como alguém que tem funções de educadora, mas admito que cada vez me sinto mais desanimada e sem grande capacidade para dar a volta a certas situações...porque tudo é proibido e hoje parece que os castigo já nem surtem o mesmo efeito...ou arranjam alternativa ou respondem " quer lá saber nem gosto muito disso"
Desabafo de quem todos os dias lida com crianças que respondem torto, de uma forma mal-educada e nem sempre respeitam as regras...e depois ainda ser ma~e de duas pequenas .....e com os pais que os protegem e dizem " Não sei mais que hei-de fazer com ele" se aos 7 anos ja não sabe que há-de fazer como será aos 14?
Desculpa o desabafo!
um abraço
brisa de palavras

 
At 10:22 da tarde, Anonymous tuga said...

Complicado gerir essas sensibilidades todas. Com acesso a todo o tipo de informacao cabe-nos a nós pais a ardua tarefa de seleccionar (se isso é possivel) o que . . do nosso ponto de vista é o melhor para eles. Logo surge o conflito. Parabens pelo blog. vou adicionar nos favoritos. Como profissional da área convido-a a conhecer este blog. É possivel que conheca casos com este tipo de problema.
o blog:
www.artigosataxiashereditarias.blogspot.com
Cumprimentos e sucessos pessoais/profissionais é o meu desejo

 
At 9:24 da tarde, Blogger brisa de palavras said...

Passa lá no meu canto que te deixei um desafio os três " Memes"
um abraço

brisa de palavras

 
At 12:14 da manhã, Blogger Rosa Silvestre said...

Olá António. Obrigada pelas amavéis palavras.Beijinhos.

Olá Ana S. Obrigada pela visita ao meu cantinho. Beijinhos.

Olá Fátima, Obrigada pelas gentis palavras e manarei e-mail seguidamente. Beijinhos.

Olá Grilinha, Obrigada pela visita e pelas palavras amavéis.Beijinhos.


Olá um poema: Obrigada pela visita e pelas palavras sempre tão amavéis.Beijinho.

Olá rosário. Obrigada pela visita e pelas gentis palavras. Volte sempre. Um abraço.

Olá Joana, tudo bem? Um grande beijinho para ti também!

Olá D. Bjos também para ti!

Olá nana: um grande bjiho!

Olá C.M.R. um beijinho grande!

Olá Sofia, pois é, tens razão!um beijito grande!

OLA KS um beijinho grande!

Olá Brisa, um grande abraço, obrigada pelas tuas palavras!

Olá tuga,,,é emsmo díficil gerir
diversas sensibilidades. Votos de sucesso profissional e pessoal. Gostei do blog. Já o anexei à página. Obrigada.

 
At 6:32 da tarde, Blogger Margarida said...

Olá Rosa Silvestre
Nem sei como vim aqui parar, o que é certo é que este blog é um blog de utilidade pública, pela maneira responsável como aborda o tema da educação, não deixes nunca de ensinar a educar.
bjs de uma avó preocupada com o assunto
guida

 
At 3:40 da manhã, Anonymous Anónimo said...

queria mais sobre a respeito como educar uma criança de tres anos,sou amãe dela tenho 18 anos,imagine minha situação,ñ queria confudir a cabecinha dela,separei do pai dela e tive q deixar ela com minha ex sogra,nisso fiquei a só visita-la,passei a ficar um mes sem ve-la,por assuntos quando ia ver ela me dizia q ela ficava doente,e agora voltei,e fico com ela uma semana sim e outra ñ,mas vejo q ela fica muito agitada com essa situação,pode colocar limites nela,mas ela ñ aceita,e assim com ambas partes,tbm com minha ex sogra,começa a ñ querer comer mais e birras extremas,ñ tyem nada q faça distrair ou para-la,pensso informaçoes q possam me ajudar nessa situação,ateciosamente obrigada.

 

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